Produção Cultural

Você sabe o que é Produção Cultural?

De forma geral eu posso indicar alguma bibliografia na internet que aborda diretamente o tema. Vide isto – por que fazer produção cultural?, por Alê Barreto , isto – acredite, uma explicação interessante na Wikipédia, isto – projeto Produção Cultural no Brasil, e mais isto – uma sessão de perguntas e respostas sobre produção cultural.

Aliás, porque eu me esforcei em colocar esses links no meio do texto? Basta você olhar para a coluna da direita e ver os sites que eu indico. Ou então brinca no google mesmo…

Na música eu ainda vejo muita gente confundindo as coisas entre produtor executivo, produtor musical, produtor fonográfico… Eu mesmo não sei se posso dar a definição certa, posso apenas dar o meu parecer mais sincero, baseado na relação mais direta que eu tive com a Produção Cultural, enquanto produtor executivo do Grupo Musical A Corda em Si.

O que eu já pude perceber é que  produção fonográfica e produção musical são praticamente a mesma coisa. Acho que não existe nada oficial que declare as diferenças. Pude perceber, participando em dois cursos de produção musical,  que essa profissão (produtor musical) tende a ser diretamente relacionada com o trabalho de estúdio (o que fica mais óbvio no nome produção fonográfica), podendo o profissional participar não somente da gravação das músicas (escolha dos microfones, mixagem, equalização, masterização, etc), mas também na criação dos arranjos, seleção de músicos, escolha do repertório, estética, entre outras coisas. Talvez essa última parte não seja geralmente atribuída ao produtor fonográfico, e ela separada do trabalho em estúdio possa determinar o que chamamos de “direção musical”. O produtor musical pode então ser uma mistura de diretor musical com produtor fonográfico… estranho!

Mas pra falar a verdade não é tão fácil separar as coisas, porque muitas vezes (ou na maioria) elas não se separam. É fato que cada um envolvido no processo de criação de um álbum ou música acaba ganhando um nome que o identifica como profissional. Mas tanto uma mesma pessoa pode realizar várias etapas, quanto dar os seus pitacos em outros momentos, que não são oficialmente de sua responsabilidade. O músico, que pode ser o diretor musical de um álbum, pode ter preferências na escolha dos microfones, colocando então o seu dedo na parte do produtor fonográfico, e pode ainda (ou talvez deve) dar a sua opinião na hora de equalizar e mixar as músicas. O produtor fonográfico pode dar uma idéia para o arranjo. O produtor executivo (sobre o qual já vou falar) pode querer se meter (seja por motivos estéticos ou comerciais) e dar sua opinião sobre o repertório, ou até sobre outras coisas das quais tenha conhecimento. Por aí vai…

Mas o que EU faço? Calma, era agora que eu ia falar sobre o produtor executivo, a minha função “oficial” no A Corda em Si.

Na área cultural podemos encontrar mais facilmente definições de produtor executivo relacionado à indústria cinematográfica. Aliás, pense você quantas vezes já se deparou com esse termo nos créditos dos filmes… Claramente estava diferenciado do diretor, ou dos câmeras… Até vemos filmes cujo atrativo no cartaz é “dos mesmos produtores de…” . No cinema o produtor executivo, ou às vezes chamado apenas de produtor, é o cara que coordena tudo, o “dono da bola”, o proprietário da empresa produtora. Claro que também há variações de acordo com a situação (tamanho do projeto, da empresa, do grupo, forma de organização).

Na música o produtor executivo é o que tem a maior função burocrática da coisa. Ele desenvolve projetos, escreve e envia ofícios/documentos, corre atrás de apoio, contrata serviços (designer, assessoria de imprensa, gráfica, transporte, aluguel de espaço/material, etc), trabalha antes, durante e depois em qualquer evento que esteja produzindo. Na verdade eu estou falando da minha experiência. Eu faço isso. É claro que dessa forma o produtor executivo pode, e muitas vezes deve (de acordo com suas capacidades) participar ativamente de algumas áreas mais específicas, como no exemplo que eu dei acima sobre a questão do repertório de um álbum. Em suma, quando ouvimos alguém falar do produtor de uma banda, pensamos logo no cara engravatado que está avaliando propostas, fechando contratos, conversando com empresários e admnistrando as finanças. Talvez essa imagem não esteja tão errada assim, pese em contrário talvez a gravata… Podemos sim dizer que o produtor também é aquele que vende a banda/grupo/show/evento.

Como no cinema, também na música há diversas formas de um produtor executivo trabalhar, então não me leve assim tão a sério. Pense apenas que se é executivo não precisa estar de terno, mas executar alguma coisa. Também não vai ficar parado!

Os projetos que o produtor executivo escreve, e para os quais busca recursos, precisam estar de acordo com uma realidade, e para tanto é necessário que ele esteja ciente dessa realidade, como ela funciona, como trabalhar com ela, caso contrário de que forma poderia aplicar o projeto? Desse modo as relações pessoais se tornam extremamente importantes, já que em todos os momentos de contato com a realidade onde pretende trabalhar, o produtor executivo deve dialogar com pessoas das mais variadas áreas, seja o artista , o técnico de luz, o faxineiro, o porteiro, o produtor fonográfico, o público… e cada um com seu temperamento, seu dia ruim, seu ego, suas infinitars variações!

Eu percebi que em muitos grupos musicais o produtor executivo acaba assumindo um pouco (ou completamente) a função de assessor de imprensa. Isso muitas vezes se deve à dificuldade de pagar alguém exclusivamente pra isso, ou de encontrar quem possa realizar esse trabalho satisfatoriamente, ou até por burrice, achando que é suficiente mandar um convite para uma lista de e-mails e botar no Facebook. Eu mesmo já passei a entender como funciona (em parte) a lógica da imprensa, pela necessidade que tive de divulgar o A Corda em Si, seja em Florianópolis ou na turnê por Santa Catarina que realizamos em 2010 através do SESC. Me vi metido em mídia social, e por conta de um interesse pessoal acabei fazendo às vezes de fotógrafo e até designer (dentro dos meus limítes).

Na verdade a grande conclusão que eu tiro disso tudo é que, para ser um produtor executivo se faz necessário um mínimo de interesse em cada uma das áreas envolvidas com o seu projeto. Não vou dizer que sou profissional em fotografia, mas posso garantir que vou saber avaliar se o trabalho de determinado fotógrafo condiz com o projeto que estou propondo, ou com o grupo que estou produzindo.

Mas e a Produção Cultural? Bom, se isso tudo que eu descrevi não é uma parte, até bastante importante, da produção cultural, eu não sei o que poderia ser. Na verdade tudo vem de uma vontade/necessidade de impulsionar a sociedade para um desenvolvimento mais humano, e existem muitas manifestações artísticas/culturais que são chaves mestras para isso, tanto as já existentes quanto as em emersão, e mesmo as que ainda podem vir a existir um dia, mas que precisam de um ambiente propício para despertar, é aí reside a preocupação do produtor cultural, cultivar esse ambiente da melhor forma possível, seja com pequenos eventos comunitários ou em grandes ações políticas. Nesse sentido a questão vai longe, e espero que dure ad infinitum.

Outros quinhentos.. ?

Antes ainda de trabalhar oficialmente como produtor executivo, com nome no encarte do CD e tudo, eu tive boas experiências promovendo festas. Um dos lugares principais para realização dessas festas foi a república Casa da Música, o que não me impede de citar outra casa, no Canto dos Araçás, que também foi “palco de grandes encontros”. Maninho e Cabelo que o digam.

Parece bobo pensar que fazer uma ou outra festinha vai te ajudar a ser um produtor decente, mas garanto que muita gente deve ter começado assim. A lógica é simples. Temos que ter uma estrutura e um público. Como isso vai funcionar é o ponto. O que envolve essa estrutura? Quanto dinheiro deverá ser investido? Bebidas, comidas, bandas, luz, som, pessoal, troco, organização do espaço… O que envolve esse público? Como chamá-lo? Boca-a-boca, internet, cartazes… Mais dinheiro! Estimativas, tabelas de cálculos, contatos úteis (cerveja barata, gelo, transporte)… Aos poucos essas coisas vão ficando mais claras, e o corre fica menos penoso. Traçar disso um paralelo com outros eventos como shows, mostras, ou mesmo turnês não é difícil.

Durante a realização de uma festa a habilidade  com tarefas práticas também serve, e muito! Seja para saber o melhor jeito (e o mais rápido)  de limpar um chão encharcado por um vazamento, ou como consertar o plugue de uma extensão, ou tantas outras coisinhas que exigem mais que um certo conhecimento, uma agilidade para resolver o problema o quanto antes! E isso também é aplicável em situações de shows e turnês. Ás vezes você é o único disponível pra passar um figurino. Você sabe passar roupa? É bom aprender…

 



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.